Músicas tocadas neste programa: luiz gonzaga – são joão do carneirinho
elomar – dança da fogueira
carmen miranda e mário reis – chegou a hora da fogueira
cristóvão cerqueira – pupurri de arrasta pé
luiz gonzaga – são joão na roça
dominguinhos - quadrilha
grupo vou vivendo – doce de côco
Estamos em tempo das festas de São João. São João, fogueiras e fogos. Li um artigo intitulado São João, Festa do Sol, escrito por Ronaldo Mourão, um astrônomo brasileiro de renome, e é neste artigo que vou basear este programa de hoje.
Ao observar as variações periódicas de clima ao longo do ano, o homem primitivo procurou associá-las ao movimento aparente do Sol no céu, descobrindo, com auxílio dos seus monumentos de pedra, as direções do nascente e poente do Sol durante todo um ano. Com esses observatórios primitivos, os astrônomos da Idade da Pedra descobriram que o Sol, em quatro bem determinadas épocas do ano, nascia e se punha em quatro pontos diferentes do horizonte, que correspondiam ao início das estações, quatro grandes alterações climáticas. Com tais conhecimentos, aproveitavam-se os sacerdotes das tribos primitivas para anunciarem e preverem o ponto exato do aparecimento do Sol, no horizonte, o que lhes fornecia o poder de dominar seus discípulos ou crentes. Mais uma vez o conhecimento, o saber do cosmo, iria ser usado para favorecer os governantes. Assim, criaram-se os altares de pedras polidas e, mais tarde, as catedrais de pedra, onde os sacerdotes, que já haviam previsto a ocorrência daqueles fenômenos astronômicos, solicitavam aos crentes com antecedência a necessidade de alguns atos religiosos com os quais seria possível alterar os desígnios da natureza. Assim, foram descobertos os dias, o mais curto e o mais longo do ano. O mais curto, no inverno e o mais longo, no verão. Esses dias são chamados de solstícios. Nesta parte do mundo em que nós vivemos, que é a metade sul do planeta, o solstício de verão pode-se dizer que ocorre em 25 de dezembro, o dia mais longo do ano. E o solstício de inverno, em 24 de junho, o dia mais curto do ano. A descoberta dos solstícios há milhares de anos deu origem às festas coletivas nas quais o Sol era honrado com o fogo, a luz suprema, que o homem oferecia às divindades pagãs. Como se vê, muito tempo mesmo, antes de nascerem o cristianismo e as religiões dele derivadas. Leia mais…
Músicas tocadas neste programa: antúlio madureira – chegança de mouros
antúlio madureira – frevos para marimbau
antúlio madureira – ária das bachianas nº 5
augusto calheiros e turunas da mauricéia - pinião
augusto calheiros – casa desmoronada
augusto calheiros – avemaria
grupo vou vivendo - assanhado
Hoje estou trazendo dois cantores compositores, ambos do Nordeste, com quase um século de diferença um do outro. Augusto Calheiros, que muitos ouvintes já conhecem e certamente se lembram com saudade e simpatia pela sua voz afinada e tão peculiar e pelo seu repertório. O outro, Antúlio Madureira, músico contemporâneo, inovador e talentoso. Antúlio Madureira, pernambucano, cresceu entre notas musicais, teatro e dança. Desde cedo, deixou-se envolver por este mundo mágico, descobrindo seus dons e dedicando seu talento à cultura. Durante vinte anos trabalhou com o Balé Popular do Recife, fundado por sua família em 1977. O grupo serviu de palco para grande parte de seu desenvolvimento como artista, onde foi bailarino e diretor musical. Paralelamente, traçava sua instigante trajetória artística em outros movimentos. Participou do Quinteto Armorial, da Orquestra Romançal, do Trio Romançal Brasileiro, compôs trilhas sonoras para espetáculos de dança e teatro. Sua formação passa pelo Conservatório Pernambucano, pela Escola de Belas Artes e Licenciatura em Música pela Universidade Federal de Pernambuco. Leia mais…
Quando leio O Príncipe, de Maquiavel, tenho a nítida impressão de que príncipe e povo são inimigos.
A tática, na guerra, é ardilosa, mas não é desleal, porque entre os inimigos não há qualquer pacto de lealdade.
Entre os amigos, o ardil, a treta, a mentira são pura deslealdade.
Entre os inimigos, a tática é uma forma de sabedoria. Entre os amigos, uma traição. Leia mais…
Músicas tocadas neste programa: carmem miranda e mário reis – isto é lá com santo antônio
linda batista – nega maluca
catuaba com amendoim – garajão
ciro monteiro – se acaso você chegasse
luiz melodia - rosa
ângela maria e cauby peixoto – a noiva
altamiro carrilho – primeiro amor
Acabamos de sair do mês das noivas e de passar ao mês dos santos que, no imaginário popular da tradição católica, estão intimamente relacionados ao casamento, Santo Antônio, São João e São Pedro. Hoje, trazemos o tema das noivas que, começando em maio, se estende até o dia 13 de junho, quando as moçoilas casadoiras, como diria qualquer esnobe de plantão, solteiras remanescentes de maio, estarão contritas em suas preces e promessas ao santo casamenteiro, no dia seguinte, portanto, ao dia dos namorados. Até a metade do século passado, era de bom tom para qualquer mocinha de família, como se dizia, só namorar pra casar. De modo que o dia dos namorados, sendo a véspera do dia de Santo Antônio, o santo casamenteiro, fazia supor que o caminho fatal do namoro seria o casamento. E era aí que entraria a interferência do santo que, curiosamente, trás em seus braços uma criança de colo. E santo Antônio naturalmente deveria interferir neutralizando a malandragem comum aos rapazes. Leia mais…
Sobre Jorge Rocha
Jorge Rocha, sexagenário, confia, como Demócrito, que tudo no universo é fruto da necessidade e do acaso. Cultua a filosofia do cotidiano, às vezes verseja e ocasionalmente é psiquiatra, para sobreviver.