maniqueísmo
não devo reforçar mani
e dividir a humanidade
entre bons e maus,
entre joio e trigo.
mas devo admitir que ela,
podendo ter sido boa,
escolheu ser má
e com isto se divertiu
bastante.
No primeiro momento, como eu não estava assistindo à partida, quando Lucas me falou da cabeçada, achei que Zidane tinha perdido a cabeça. Pensei: tenha medo de quem é muito contido; quando perde a cabeça é pra valer. Entretanto, depois assisti ao vídeo-tape do lance e vi que Zidane não tinha mesmo era perdido a cabeça. O que aconteceu é que ele, com todo o controle zen que um homem pode desejar, tangenciou as provocações e saiu andando calmamente. O zagueiro italiano que o provocou caminhava um pouco atrás, falando o que ninguém conseguia escutar, exceto Zidane. Subitamente, este inverte o sentido de sua marcha, detém-se por um segundo e, à aproximação do italiano, desfere-lhe u’a marrada no peito. Incontinenti, cai o italiano enquanto que Zidane permanece de pé, sem um só músculo contraído, a julgar por suas mãos que nem sequer estão fechadas, como sói quando se é apossado de raiva e violência e a julgar também por sua postura descontraída, quase flácida, ali de pé. Não se aproveitou da queda do outro, não lhe deu chutes, não o esmurrou, como era de esperar de alguém que estivesse possuído de ímpetos agressivos e violentos. Logo vem o árbitro e lhe dá cartão vermelho. Posteriormente, ficamos todos sabendo que o árbitro não teria visto o lance e que usara meios eletrônicos, o que aliás lhe seria vedado fazer, para dar a falta.
Leia mais…