Prosa


Drocha morreu num dia como este, 14 de maio. Epa! Que lapso! Hoje seria aniversário dele, que morreu mesmo foi a 21 de setembro… Teria valido a pena sua vida? Com que parâmetros medir, avaliar? Só muita petulância para julgar isto. O mistério que transcende nossa vã existência (vã enquanto existência em si) deixa rastros de dúvidas, como fogos-fátuos, como caudas de cometas. Naturalmente, são os filhos e netos (quem sabe mais quem virá a partir dele?) e toda a sua progênie que darão testemunho de sua passagem por aqui (mesmo que tenha sido por ele e por nós outros considerada vã e inútil). São as memórias de todos os que o conheceram que vão imortalizar seu nome. Estas memórias contêm na certa a marca de sua irreverência, com que filosofava em cada tirada mordaz ou de gracejo, como a que está ali no livro de Adylson Machado, Amendoeiras de Outono, mesmo que apenas numa breve citação, breve mas tão fiel ao que lembramos dele: “Ali conhecera a realidade das estiagens, aprendeu a valorizar cada gota d’água, grão de arroz, de feijão, de milho, bocado de farinha. ‘Quem tudo come, tudo caga’, filosofava um tio avô desbocado, Dativo, gargalhando das digressões em sua tenda de seleiro.” [página 41]…
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Temos ouvido e repetido que palavras são palavras, nada mais que palavras… Agora, refletindo, podemos perceber que palavras não precisam ser mesmo nada mais que palavras! Para quem as diz, são importantes, são suas idéias. E que são as idéias? Idéias apenas povoam um mundo inexistente, o mundo interior, solipsista. Nossas idéias só servem para nós mesmos, enquanto permanecerem dentro de nosso mundo, dentro de nossas almas.
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Não se incriminam aqueles que pensam. Nem pecam os que pensam. Nada é o pensamento, se não for concretizado. O crime e o pecado não existem, no mundo das idéias. Fazem parte do mundo exterior, fazem parte do agir. Então, para cada um de nós que produz ondas sonoras, concretizando vocábulos, as palavras são importantes, são fundamentais, são imprescindíveis porque nos aliviam a alma [este mundo interior que não está no âmbito da existência, isto é, que portanto não existe].

Para quem as escuta, nada valem por si mesmas. Aí, sim, palavras não passam de ondas sonoras, movimentos do vento, que com o vento se vão. Palavras ditas pelo outro só se tornam importantes se, ao penetrarem o nosso mundo interior, encontrarem ressonância. Vamos lembrar de Itaca, de Kaváfis:

“Se partires um dia rumo a Ítaca,
faz votos de que o caminho seja longo,
repleto de aventuras, repleto de saber.
Nem Lestrigões nem os Ciclopes
nem o colérico Posídon te intimidem;
eles no teu caminho jamais encontrarás
se altivo for teu pensamento,  se sutil
Emoção teu corpo e teu espírito tocar.
Nem Lestrigões nem os Ciclopes
nem o bravio Posídon hás de ver,
se tu mesmo não os levares dentro da alma,
se tua alma não os puser diante de ti.(…)”

Isto é algo que temos de incorporar, para não nos culparmos pelas palavras pronunciadas nem nos atormentarmos pelas palavras ouvidas. Nossos tormentos são os Ciclops, os Lestrigões e o bravio Possídon que trazemos dentro de nós. Precisamos encarar nossos fantasmas e nossos medos como tais, habitantes de nossas almas. E não as palavras alheias, que pertencem de fato às almas alheias. Isto é o verdadeiro e desejável cinismo diogenesiano. Isto é o que ensina a prática do Zen.

Os jornais, o rádio e a televisão têm informado um dia ou outro, embora com menos freqüência, acerca da crise do mercado americano da construção civil, que provocou outra crise maior ainda no setor financeiro, quebrando bancos e bolsas de valores. A crise se disseminou como uma doença pelo mundo inteiro e já vem atingindo o Brasil.

Para quem pensa que isto que está acontecendo fica lá por cima e não nos atinge, eu vou passar as informações que nos explicam de modo simples e claro o que de fato deu início à crise e quais as conseqüências para o cidadão comum, como você e como eu.
O artigo que eu transmito aqui foi publicado na internet, com o título A Crise Americana bem Explicada. Escrito em setembro do ano passado, está bem atual. Seu autor se chama Weslei S. Dourado.
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Fala-se muito ultimamente da inteligência emocional.

Suponho que seja possível qualificar quatro tipos de inteligência:
a intuitiva, natural, básica, a emocional, a cultivada e, finalmente, a crítica.
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“Vim ao mundo para dar testemunho da verdade. Todo aquele que é da verdade ouve a minha voz”.
Disse-lhe Pilatos: “O que é a verdade?”
E, dizendo isto, saiu de novo ao encontro dos judeus… [Jo. 18, 37-38]

              Um mal-estar freqüentemente me ocorre nas relações inter-pessoais. Um mal-estar provocado pela penumbra da desconfiança. Ora, a confiança, que significa lealdade ou fidelidade mútua, comunhão de fé, implica uma transparência recíproca. Desconfia quem mente; desconfia quem não acredita. Como o mundo interior de cada um é insondável, a não ser mediante a devida permissão, o acesso de fora é praticamente impossível. Quando, porém, se vislumbra a possibilidade, surge um outro obstáculo, o obstáculo da linguagem. A linguagem é sempre metafórica e a linguagem verbal o é por excelência. Leia mais…

A respeito da solidão, tenho algumas considerações.
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“Postada diante da escrivaninha de tampa de vidro verde-escuro, perguntei:

- Pai, quem era Sócrates?

E - ainda hoje isso me enche de admiração por ele - não senti nenhum receio de que me achasse ridícula, ou dissesse: ‘Ora, vá brincar no seu canto, isso não é coisa de criança!’

Lembro seu olhar claro, o rosto sério, a paciência com que me fez sentar numa das grandes poltronas, explicando o que eu queria saber, e me entregou um volume de enciclopédia. Fiquei lendo naquele silêncio bom que tantas vezes se abria ao seu redor quando ele trabalhava ou refletia. Quando devolvi o pesado livro, tirou de suas prateleiras outro muito menor e disse:

- Esse se chama O banquete. É de Platão, um filósofo grego que foi aluno de Sócrates Você não vai entender muito bem, mas tenho certeza de que vai gostar.

Lembro com gratidão que em nenhum momento ele pareceu achar graça de mim. Para aquele homem eu não era só uma criança: era uma pessoa”.

 

 

Drocha morreu num dia como este, 14 de maio.

Epa! Que lapso! Hoje seria aniversário dele, que morreu mesmo foi em 21 de setembro…

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O espírito da tentação consiste em fazer despertar um desejo preexistente e acenar-lhe com possibilidades de realização. Não há tentação em insinuar possibilidades cuja idéia não preexista em forma de desejo. Neste caso não é necessário o mínimo esforço para resistir ao apelo, simplesmente porque o objeto da insinuação não é objeto do desejo. O eunuco não pode ser tentado pela odalisca. Leia mais…

Este artigo, já publicado na imprensa, é de autoria do jornalista Paulo Nogueira.

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          Todo feito é fato e todo porvir, provisório. Algumas vezes tenho pensado nisto e vejo, cada dia, que assim é, que o passado se consolidou e que o futuro é sempre quimérico, é sempre possibilidade, num leque que vai do nada ao tudo. Hão de me dizer: mas isto é angustiante demais!… Leia mais…

As palavras servem para nos poupar trabalho.

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[Algumas consideraçöes sobre os limites] 

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Não me sai da cabeça a música Geni, de Chico Buarque. Logo me dou conta da semelhança de Geni com o filme Dogville, Leia mais…

 
Havia um velho camponês, que tinha um filho jovem, com quem morava e trabalhava no campo.

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É u’a manhã de verão, numa região serrana.

Um rapaz está guiando velozmente uma bicicleta. Ele usa um aparelho com fones de ouvido e escuta rocks a todo volume. Leia mais…

 

Amélia tem sido uma espécie de alvo das feministas, uma espécie de chacota, o símbolo do ridículo, da submissão da mulher ao homem. Ridículo porque tida como prazerosa e grata. Isto, no discurso feminista. Entretanto, uma leitura mais cuidadosa da composição de Ataulfo Alves e Mário Lago pode levar a uma compreensão bem diferente da usual. Vejamos:

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