Sex 14 Mai 2010
Drocha morreu num dia como este, 14 de maio. Epa! Que lapso! Hoje seria aniversário dele, que morreu mesmo foi a 21 de setembro… Teria valido a pena sua vida? Com que parâmetros medir, avaliar? Só muita petulância para julgar isto. O mistério que transcende nossa vã existência (vã enquanto existência em si) deixa rastros de dúvidas, como fogos-fátuos, como caudas de cometas. Naturalmente, são os filhos e netos (quem sabe mais quem virá a partir dele?) e toda a sua progênie que darão testemunho de sua passagem por aqui (mesmo que tenha sido por ele e por nós outros considerada vã e inútil). São as memórias de todos os que o conheceram que vão imortalizar seu nome. Estas memórias contêm na certa a marca de sua irreverência, com que filosofava em cada tirada mordaz ou de gracejo, como a que está ali no livro de Adylson Machado, Amendoeiras de Outono, mesmo que apenas numa breve citação, breve mas tão fiel ao que lembramos dele: “Ali conhecera a realidade das estiagens, aprendeu a valorizar cada gota d’água, grão de arroz, de feijão, de milho, bocado de farinha. ‘Quem tudo come, tudo caga’, filosofava um tio avô desbocado, Dativo, gargalhando das digressões em sua tenda de seleiro.” [página 41]…
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Jorge Rocha, sexagenário, confia, como Demócrito, que tudo no universo é fruto da necessidade e do acaso. Cultua a filosofia do cotidiano, às vezes verseja e ocasionalmente é psiquiatra, para sobreviver.