Sáb 19 Jun 2010
Prosa & Verso 142 – SÃO JOÃO, FOGUEIRAS E FOGOS
Categoria: Prosa&Verso | Por Jorge Rocha | 3 comentário|
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Músicas tocadas neste programa: |
Estamos em tempo das festas de São João. São João, fogueiras e fogos. Li um artigo intitulado São João, Festa do Sol, escrito por Ronaldo Mourão, um astrônomo brasileiro de renome, e é neste artigo que vou basear este programa de hoje.
Ao observar as variações periódicas de clima ao longo do ano, o homem primitivo procurou associá-las ao movimento aparente do Sol no céu, descobrindo, com auxílio dos seus monumentos de pedra, as direções do nascente e poente do Sol durante todo um ano. Com esses observatórios primitivos, os astrônomos da Idade da Pedra descobriram que o Sol, em quatro bem determinadas épocas do ano, nascia e se punha em quatro pontos diferentes do horizonte, que correspondiam ao início das estações, quatro grandes alterações climáticas. Com tais conhecimentos, aproveitavam-se os sacerdotes das tribos primitivas para anunciarem e preverem o ponto exato do aparecimento do Sol, no horizonte, o que lhes fornecia o poder de dominar seus discípulos ou crentes. Mais uma vez o conhecimento, o saber do cosmo, iria ser usado para favorecer os governantes. Assim, criaram-se os altares de pedras polidas e, mais tarde, as catedrais de pedra, onde os sacerdotes, que já haviam previsto a ocorrência daqueles fenômenos astronômicos, solicitavam aos crentes com antecedência a necessidade de alguns atos religiosos com os quais seria possível alterar os desígnios da natureza. Assim, foram descobertos os dias, o mais curto e o mais longo do ano. O mais curto, no inverno e o mais longo, no verão. Esses dias são chamados de solstícios. Nesta parte do mundo em que nós vivemos, que é a metade sul do planeta, o solstício de verão pode-se dizer que ocorre em 25 de dezembro, o dia mais longo do ano. E o solstício de inverno, em 24 de junho, o dia mais curto do ano. A descoberta dos solstícios há milhares de anos deu origem às festas coletivas nas quais o Sol era honrado com o fogo, a luz suprema, que o homem oferecia às divindades pagãs. Como se vê, muito tempo mesmo, antes de nascerem o cristianismo e as religiões dele derivadas.
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Jorge Rocha, sexagenário, confia, como Demócrito, que tudo no universo é fruto da necessidade e do acaso. Cultua a filosofia do cotidiano, às vezes verseja e ocasionalmente é psiquiatra, para sobreviver.