Escute o Prosa & Verso 118

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Músicas tocadas neste programa:
Delira, de Jomarito Guimarães
Brincando de orquestra, de Tércio Guimarães
Aquarela do Brasil, de Ary Barroso, com arranjo de Tércio Guimarães
Popurri natalino, com arranjo de Jomarito Guimarães e
Devaneios, de Jomarito Guimarães

O programa de hoje constou de uma entrevista com o Prof. Jomarito Guimarães, maestro e orientador por muitos anos da Filarmônica Lira Morrense. Se você quiser, pode ouvir a entrevista, como também as músicas que foram transmitidas.
As músicas que você escutou no decorrer deste programa foram todas executadas pela Filarmônica Lira Morrense.

Escute o Prosa & Verso 117

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Músicas tocadas neste programa:
virgínia rodrigues – terra seca
morgana guimarães e jéssica pereira – monocultua, latifúndio, escravidão
rebeca vasconcelos – o feudalismo
seu jorge - trabalhador
martinho da vila – com que roupa
dalva de oliveira - estão voltando as flores
jacob do bandolim - flamengo

É verdade, tenho de concordar, as coisas melhoraram, as coisas têm melhorado aqui no Brasil. E também no mundo. No final do programa vou trazer algumas informações oficiais para você mesmo avaliar. De acordo com pesquisadores da história econômica do mundo, existe uma evolução desde que o homem era escravo do outro homem, até o momento atual, em que o homem é empregado do outro homem. De fato, no passado uma comunidade se armava, invadia outra comunidade e quem ganhasse a guerra tomava os vencidos e os transformava em escravos. Era o tempo em que apenas a força bruta é que resolvia e mandava.
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Escute o Prosa & Verso 116

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Músicas tocadas neste programa:
joão e josé ribeiro – e o destino desfolhou
carlos galhardo – mais uma valsa, mais uma saudade
gastão formenti – folhas ao vento
albênzio perrone – suave poema de amor
francisco alves – lembro-me ainda
francisco petrônio - tardes de lindóia
carlos josé – sonhei que tu estavas tão linda
onésimo gomes – lua branca
turíbio santos – choro triste

Nos tempos da serenata, das noites de seresta à luz da lua ou, quando muito, dos lampiões as cidades do interior podiam se deliciar com os sons melodiosos dos violões, cavaquinhos, clarinetas e das vozes dos cantores que alegravam e embalavam, sempre ao ar livre, ao sereno, os corações e as mentes dos seus conterrâneos, entoando valsas e canções românticas para suas amadas ou para as mulheres cujos enamorados, mesmo que em segredo, os contratavam para fazer a cantata. Naquela época mais remota, não se cantavam boleros, primeiro porque não eram ainda do gosto das pessoas e, depois, porque o bolero é um ritmo que se presta à dança, com tantas e tão floridas variações e, nas serestas de outrora, não havia lugar nem cabimento para dançar isto que hoje se chama apropriadamente de dança de salão. O bolero é, portanto, um ritmo apropriado para os salões.
Sinto uma lembrança agradável, mas não saudade. Uma lembrança agradável do pouco que eu vivenciei da seresta, ali pertinho, em Mairi, a cidade onde nasci e passei parte de minha infância. Agora, encontro neste programa uma oportunidade de compartilhar das lembranças com os ouvintes do Prosa & Verso. Faz alguns meses, bem no meio da comemoração dos 100 anos de Morro do Chapéu, Dona Eluíza, de família tradicional morrense, também teve suas 80 primaveras festejadas. Rodeada da família e dos amigos, ela entoou com emoção uma valsa que se chama E o destino desfolhou, que vocês estão ouvindo agora como fundo musical.
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Escute o Prosa & Verso 115

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Músicas tocadas neste programa:
renato teixeira – rapaz caipira
raul seixas – tente outra vez
chitãozinho e xororó – beijinho doce
zezé di camargo e luciano – luar do sertão
milionário e josé rico – da vida nada se leva
sérgio reis – boiadeiro errante
almir sater – a saudade é uma estrada longa
pedro amorim e sérgio santos - brejeiro

No programa da semana passada, na viagem que fizemos pela música dos sertões brasileiros, apresentamos Renato Teixeira, que agora está voltando aqui. Hoje, dispensando as apresentações, vamos mostrar de novo este compositor e intérprete, que nos vai brindar com a música Rapaz caipira.

Nascidos em Astorga, cidade do Paraná, José Lima Sobrinho e Durval de Lima foram os nomes de batismo escolhidos pelos pais, mas Chitãozinho e Xororó foram os nomes artísticos reconhecidos pelos milhões de admiradores, do Brasil e do exterior. A paixão pela música começou cedo ouvindo o pai, “seu” Marinho - cantor e compositor - cantando com “dona” Araci, mãe da dupla. O talento dos irmãos só foi percebido por seu pai no dia em que Rosária, uma das irmãs, rasgou o caderno onde ele anotava as músicas que compunha. Foi então que a pequena dupla apareceu para ajudar, pois sabiam todas as letras e cantavam todas as músicas com afinação. Xororó fazia a primeira voz, imitando a mãe e Chitãozinho a segunda, como o pai. Das festas juninas do passado aos mega shows de hoje, os “Irmãos Lima”, primeiro nome artístico da dupla, marcam presença no cenário artístico nacional e internacional. Realmente desde o berço eles haviam nascido para cantar. Por conta deles é que se abriram as portas das rádios FMs para a música sertaneja, até então marginalizada na mídia e grandes centros urbanos, relegada à ícone do meio rural. O grande Raul Seixas foi, sem saber, a faísca que reacendeu as esperanças dos irmãos ao interpretar Tente outra vez, canção que tocou fundo em seus corações e os fizeram caminhar rumo ao sucesso. Embora não sendo propriamente u’a música sertaneja, vamos trazer Raul Seixas, só para relembrar de como o curso da história conta com o acaso para se desenrolar.
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Escute o Prosa & Verso 114

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Músicas tocadas neste programa:
eugênio cerqueira – não arredo o pé
antúlio madureira – frevos para marambau
dorival caymmi - retirantes
maestro duda – frevos do meio dia
vital farias – cantilena de lua cheia
renato teixeira – quebra de milho
yamandú e dominguinhos – xote miudinho
yamandú costa - chorando

Nasceu em Morro do Chapéu, mora desde a puberdade em Salvador, em ambiente de artistas da música, participa do encontro anual de forrozeiros em Recife, em homenagem a Luiz Gonzaga, dedica-se não só à música propriamente dita, mas também à gravação em mídias. Autodidata, toca vários instrumentos, mas tem no acordeom sua preferência. Seu nome é Eugênio Cerqueira.

Antúlio Madureira cresceu entre notas musicais, teatro e dança. Desde cedo, deixou-se envolver por este mundo mágico, descobrindo seus dons e dedicando seu talento à cultura. Durante vinte anos anos trabalhou com o Balé Popular do Recife, fundado por sua família em 1977. O grupo serviu de palco para grande parte de seu desenvolvimento como artista, onde foi bailarino e diretor musical. Paralelamente, traçava sua instigante trajetória artística em outros movimentos. Artista inquieto, Antúlio foi além do estudo de instrumentos tradicionais. E o músico tornou-se um artesão musical, que cria, recria e aperfeiçoa instrumentos a partir de objetos comuns. Hoje, o multiartista apresenta seu espetáculo em que toca, canta e dança as mais legítimas manifestações culturais nordestinas.
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Escute o Prosa & Verso 113

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Músicas tocadas neste programa:
cristóvão cerqueira – gritos da terra
trio nordestino – cabeça inchada
marinês e sua gente – é amor e é saudade
geraldo azevedo e cascabulho – na base da chinela
dominguinhos – rato enfrentando gato
elba ramalho – o canto da ema
luiz gonzaga – respeita januário
altamiro carrilho – sofres porque queres

A música originária e emanada do nordeste do Brasil, conhecida como música nordestina, tem em Luiz Gonzaga seu mestre e patrono. Foi ele quem levou para o sul-maravilha o baião e o xote, na década de 30, como ele mesmo conta em um dos seus discos. Aliás, ele mesmo vai contar daqui a pouco pra vocês. Mas, desde então a música nordestina adquiriu vida própria com milhares de apreciadores. E surgiram muitos e muitos intérpretes no decorrer desses 80 anos. Trouxe um punhado hoje e vou rodar uma gravação de alguns deles. Este primeiro é um artista morrense. É morador da terra, autodidata, organizador de bandas de flautas em alguns municípios da chapada, toca instrumentos de tecla e corda, principalmente violão. Ele se chama Cristóvão Cerqueira.
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Escute o Prosa & Verso 112

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Músicas tocadas neste programa:
cairo
asmar
harry belafonte - hava nagila
violinos mágicos - a lenda do beijo
salamalekum
altamiro carrilho – chorinho didático nº 4

A região conhecida como Oriente médio exerce um grande fascínio sobre as pessoas, pelos mistérios que toda a cultura de lá, estranha a nós ocidentais faz supor. O Egito, as Arábias, o Irã, a Turquia e também aquele lugar que os cristãos chamam de Terra Santa, Israel, Palestina e Jordânia representaram, durante muito tempo, tudo o que havia de exótico para os habitantes daqui do ocidente. Com as construções dos satélites artificiais, a comunicação em todo o mundo ficou praticamente instantânea. Já faz tanto tempo que assistimos os jogos da copa do mundo em tempo real, mesmo que se passem do outro lado da terra, que os mais novos nem sequer pensam que nós os mais velhos só podíamos ouvir pelo rádio. As imagens de TV só apareciam em vídeo-tape. Hoje em dia, com a Internet, o mundo parece que ficou menor. Tudo é muito rápido, instantâneo e as notícias voam a uma velocidade de 300 mil quilômetros por segundo. Então, os países mais longínquos e exóticos foram se tornando mais próximos e o exotismo ficou banal. É por essa região intermediária, chamada de Oriente médio que vamos fazer hoje um passeio.
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Escute o Prosa & Verso 111

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Músicas tocadas neste programa:
unchain my heart, de ray charles, arranjo de tércio guimarães
dobrado 220, de antonino espírito santo
tem quem queira, de antonio vieira, arranjo de jomarito
saudade de minha terra, de izidoro de castro
I feel good, de James Brown, arranjo de Tércio guimarães
candeal, de tércio Guimarães
altamiro carrilho – chorinho didático nº 3

Uma das mais expressivas marcas da nossa cultura local é a Filarmônica Lira Morrense, que foi fundada em 25 de dezembro de 1984. Vai comemorar, bem no Natal o seu jubileu de prata. São 25 anos de produção e execução de boa música, escola e celeiro de músicos de todas as idades. Tem contribuído para a difusão da técnica musical entre os jovens de Morro do Chapéu e vem servindo de ponto de apoio em suas trajetórias para a Universidade. São vários os alunos que daqui saíram, foram aprovados no vestibular de Música e hoje cursam a faculdade em Salvador. As Escolas de Música das Universidades, em Salvador, já identificam, logo à chegada, os alunos e ex-alunos da escola de música da Lira Morrense. Hoje nós vamos contar com a participação bem especial de Rafael Guimarães e de Lúcio Roberto, conhecido como filho de Zé Manéu. Eles vão nos falar sobre a Lira. Rafael é o ex-presidente, hoje secretário, e Lúcio é o atual regente da filarmônica.
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Escute o Prosa & Verso 110

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Músicas tocadas neste programa:
jerry adriani – rua augusta, o carro do papai, o bom
wanderley cardoso – o bom rapaz
carlos gonzaga – diana
renato e seus blue caps – feche os olhos
martinha – nossa canção
the fevers – cândida
wanderléia – ternura
altamiro carrilho – chorinho didático número 11

Na metade dos anos 60, surgiu um movimento na música popular brasileira, que se disseminou entre os jovens e adolescentes, ocupando um significativo lugar na moda e no seu comportamento. O movimento tomou forma e foi alimentado em 1965 por um programa de auditório da antiga Rede Record de televisão, programa este comandado por Roberto Carlos, Erasmo Carlos e Wanderléia, que apresentavam ao público os principais artistas ligados ao movimento. O programa se chamava Jovem Guarda, nome pelo qual o novo estilo musical e artístico ficou conhecido.

Era o rock’n roll, aproveitado em seu aspecto mais suave, quer dizer, em sua vertente mais adocicada, as baladas. Assim, a Jovem Guarda posteriormente veio a agradar também a pessoas de todas as idades, pela simpatia que irradiava, pela alegria descontraída que exibia e, por que não dizer? pelo não engajamento político. Isto porque, em 1964 tinha ocorrido o golpe militar que sufocou a democracia no país e que espalhou o medo e o terror entre a população brasileira, agravando ainda mais o arrocho a partir de 1968. Surgiam, como não poderia ser diferente, outros movimentos artísticos e musicais engajados, cujo cunho político irritava os donos do poder, provocando medidas e medidas repressivas. Muita gente foi presa, torturada e teve que fugir do país. Os trabalhadores, os estudantes e os intelectuais brasileiros foram tomados de medo e angústia, que perduraram por mais de 20 anos. A Jovem Guarda não tinha, portanto, um cunho político, ao contrário de muitos movimentos da época, que protestavam contra a ditadura, a repressão e a falta de liberdade. Mas isto é outra estória.
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Escute o Prosa & Verso 109

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Músicas tocadas neste programa:
hard day’s night
I should have know better
if I fell
and I love her
help
I’ll cry instead
I’ll be back

The Beatles foi uma banda de rock de Liverpool, Inglaterra, com suas raízes no final da década de 1950 e formada na década de 1960, constituída por Paul McCartney, John Lennon, George Harrison e Ringo Starr. Os garotos de Liverpool, ou Fab Four ou Quarteto Fantástico como eram chamados, obtiveram fama, popularidade e notoriedade até hoje inéditas para uma banda musical e se tornaram a banda de maior sucesso e de maior influência do século XX. Antes de se chamarem Beatles, eles se apresentaram durante um bom tempo com nomes diferentes, e mais tarde se batizaram The Beetles, B-E-E-T-L-E-S, que significa Bezouros, talvez por causa de outra banda da época, chamada The Crickets, que significa os grilos. Só que beetle, b-e-e-t-l-e, também significa marreta. Parece que a grafia Beatles, B-E-A-T-L-E-S, foi mudada para fazer referência à geração rebelde dos anos 50, chamada beat, BEAT, palavra que significa bater e também desconcertar. Sendo assim, até na origem do nome, o grupo teve a criatividade de deixar indefinido o seu significado.
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Escute o Prosa & Verso 108

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Músicas tocadas neste programa:
roberto carlos – jesus cristo
dalva de oliveira – ave maria
otto winter – puer natus in Bethlehem, de bach
coro dos beneditinos – mandatum novum do vobis
gilberto gil – se eu quiser falar com deus
haendel - Hallelluja

Em muitas culturas, a música está intimamente ligada à vida das pessoas. Isto se dá em diversas utilidades, não só como arte, mas também como a música militar, educacional ou terapêutica, a musicoterapia. Além disso tem presença central em diversas atividades coletivas como rituais religiosos, festas e funerais. Há evidências de que a música é conhecida e praticada desde a pré-história. Provavelmente a observação dos sons da natureza tenha despertado no homem, através do ouvido, a necessidade ou desejo de uma atividade que se baseasse na organização de sons. Embora não seja possível estabelecer seu desenvolvimento de forma precisa, a história da música confunde-se com a própria história do desenvolvimento da inteligência e da cultura humana. Hoje vamos falar da música sacra. U’a música não é considerada sacra apenas porque o seu autor é um cristão, porque a sua letra fala de Cristo ou porque pertence ao repertório de alguma religião. Ela deve ser santa em si mesma, porque música sacra é música santa. A definição, que não é minha, foi encontrada em um site da internet. Só que precisamos saber o que o autor entende por ser santa u’a música. Então vem a contribuição de Ellen White, profetisa-maior da crença adventista, mulher muito avançada para sua época, que nos deixou vários livros escritos e que constituem a base da doutrina em que se apóiam seus seguidores. Ela escreveu: Há diferentes opiniões a respeito do que seja música sacra. Tradicionalmente entende-se por música que não lembra a música do mundo e que desperta sentimentos de religião, espiritualidade, santidade e adoração a Deus. E mais: Deve ser lembrado que uma música não se torna sacra simplesmente porque é composta para ser tocada na igreja, e nem só simplesmente porque é tocada na igreja. Convém saber, portanto, que toda a música sacra é religiosa, mas nem toda música religiosa é música sacra.
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Escute o Prosa & Verso 107

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Músicas tocadas neste programa:
sílvio caldas - minha palhoça
caetano veloso - triste bahia
antonio gabriel - cidade-mãe
juca chaves – que saudade
francisco petrônio – rapaziada do brás.
elis regina - marambaia
valdir azevedo – amigos do samba

Não é nenhuma novidade, todo mundo sabe que quanto maior a população, maior é o lixo. Uma roça, uma gruta, uma cachoeira, uma praia estarão sempre mais sujos, cheios de lixo, quanto mais gente houver passeando por lá. E quanto mais gente mal-educada, maior a sujeira. Isto não é, portanto nenhuma novidade. O mesmo se aplica às aglomerações, como nos estádios de futebol, nas praças e nas ruas, nas festas em geral. Mais educado e civilizado vai-se tornando uma comunidade, mais cuidado vai tomando com o meio-ambiente; e a poluição, em conseqüência, vai ficando menos agressiva, vai ficando menor. Em nossas próprias casas, acontece o mesmo. Dizem que a casa da gente revela o estado do interior, da alma da gente. Muita desordem ali, muita desordem aqui. Em nossa casa, cada um dos moradores tem a obrigação de cuidar do meio-ambiente, não só limpando, mas evitando que se sujem a sala, o quarto, a cozinha, o sanitário. Misturar roupa limpa com roupa suja, por exemplo, é prejudicial à saúde e também à convivência entre as pessoas que moram ali. Uma casa não tem que ter móveis novos e vistosos. Nem tem que ter tudo quanto é de eletro-doméstico. Não tem que ter tapetes, cortinas ou outros apetrechos, só porque são bonitos ou porque o vizinho fulano tem na sua casa ou porque é moda, geralmente ditada pelas novelas ou propagandas. Uma casa simples, limpa e arrumadinha é acolhedora, agradável e confortável. E o lixo? O lugar do lixo é lá dentro de um vaso coberto, tampado e, depois, ensacado, para que os garis possam recolher no momento certo. Jogar lixo na rua, jogar resto de água de cozinha ou de banho na rua é o mesmo que escarrar e cuspir no próprio piso da casa onde se mora.
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Escute o Prosa & Verso 106

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Músicas tocadas neste programa:
abertura da fox
pantera cor de rosa
e o vento levou
shane
três homens em conflito
a ponte do rio kwai
lawrence da arábia
exodus
tonight
grupo vou vivendo – aquarela do brasil

Hoje vamos fazer um programa mais ameno, mais light como se diz atualmente. Vamos fazer uma viagem musical pelo cinema. Aliás, pelo cinema, não. Por alguns filmes. Escolhi temas musicais de filmes de gêneros variados, somente para uma amostragem, porque o cinema é rico em músicas bonitas.

O cinema e a televisão acabam dando vida própria aos personagens que apresentam e que habitam o mundo virtual. Nós, os mortais, habitamos este mundo concreto, do qual tanto e tantas vezes tentamos fugir. E, de fato, frequentemente estamos fugindo para outros mundos, mundos de ficção, mundos de ilusões, de crenças irracionais, mas que nos dão como que uma anestesia, para burlarmos as dores e os sofrimentos próprios da existência, a vida real. Assim, corremos para o trabalho compulsivo, para a ganância do dinheiro além do que precisamos, para um poder que nos tira a dignidade, para compras absolutamente desnecessárias que alimentam um consumismo sem trégua. Fugimos para as drogas, desde o álcool até a cocaína, passando inclusive pelas drogas lícitas, como os tranqüilizantes vendidos nas farmácias. E o cinema é um desses escapes para onde fugimos tanto tentando nos tapear. Um passatempo, uma distração… A Pantera Cor de Rosa, por exemplo, é uma comédia muito gozada que conta as trapalhadas de um inspetor de polícia encarregado de evitar que um enorme diamante seja roubado. Pantera cor de rosa é o nome do diamante e a música que vão ouvir é o tema do filme.
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Escute o Prosa & Verso 105

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Músicas tocadas neste programa:
toquinho e vinícius – marcha da quarta-feira de cinzas
geraldo vandré – sonho de um carnaval
gal costa – brasil
antonio gabriel - história
jailda – cidade mãe
mpb4 – partido alto
lula e artur – cordéis para o centenário
antônio gabriel – desabafo de um morrense
maria bethânia - minha embaixada chegou

Passaram-se as festas, foi-se a folia e o que resta é o dia seguinte. Dizem que depois da tempestade vem a bonança. Sabem também os navegadores que depois das calmarias vem o temporal. Quem alguma vez já fez uma daquelas farras homéricas, já tomou uma bebedeira, sabe por experiência que no dia seguinte vem a ressaca. No sonho de José do Egito, havia sete vacas gordas que foram devoradas por sete vacas magras, sonho este interpretado como uma previsão do futuro em que os sete anos de fartura seriam seguidos por sete anos de fome. Tudo isto que estou dizendo não corresponde matematicamente à realidade. Mas como uma idéia figurada, como u’a metáfora, como um adágio, aplica-se direitinho à vida da gente, ao espírito da gente. A gente vê na casa da gente, nas igrejas, nas praças, como, no dia seguinte a uma noite de festa, é preciso começar cedo a catar o lixo e a fazer a faxina. E, se houver bebida alcoólica, pode se preparar para a ressaca e a dor de cabeça.

Anteontem, festejou-se pelo país afora, o aniversário da independência do Brasil. Isto significa que se comemorou o dia do nascimento de um país soberano. O Brasil independente completou 187 anos anteontem. Acredite, se puder.
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Escute o Prosa & Verso 104

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Músicas tocadas neste programa:
jackson do pandeiro – velho sapeca
duas amigas ao telefone + antonio nóbrega - mulher peixão
provocação + arnaldo antunes & nando reis – não vou me adaptar
o nariz + juca chaves – nasal sensual
seu dotô me conhece? + luiz gonzaga – vozes da seca
altamiro carrilho – espinha de bacalhau

A depender dos conceitos de cada um, as palavras que usamos também sofrem variações até mesmo adotando uma significação contrária, segundo quem e como as esteja usando. Por exemplo, a inveja tem o significado de desejar ser ou possuir os atributos de outra pessoa em detrimento dela. Ou seja, ter inveja é como prejudicar outra pessoa. Mas alguém pode dizer: eu invejo fulano de tal e isto não querer significar necessariamente o mesmo sentimento, mas apenas admiração. Outra palavra que se desvirtuou no tempo foi crítica. Quando dizemos hoje que uma pessoa é crítica, estamos achando que ela bota gosto ruim em tudo, que ela é língua ferina. Por esta confusão da linguagem é que se passou a dizer que há críticas construtivas e críticas destrutivas. Para os antigos, os que inventaram a palavra crítica, seu sentido era bem outro. Uma pessoa crítica era aquela que apontava os erros, fossem lá de quem fossem. Como apontar os erros é o primeiro passo para corrigi-los, a crítica deveria ser sempre construtiva e a crítica destrutiva não deveria nunca existir. O que acontece é que a sociedade, que vive mergulhada em um mar de hipocrisia, detesta encarar os erros, preferindo varrê-los para baixo do tapete ou para trás da porta. A discriminação é uma forma de hipocrisia e preconceito. Tendemos a discriminar todos os que são diferentes de nós. E como o preconceito gera discriminação e discriminação gera intolerância, a intolerância também gera o sarcasmo, o maltrato, a humilhação. Mas a criatividade humana faz o impossível, como tirar leite de pedras, tornando o que poderia ser um infortúnio em algo engraçado e bem humorado.
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Escute o Prosa & Verso 103

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Músicas tocadas neste programa:
still a long way to go,
govinda dance
kali
om ganesh
knowledge of brahman
altamiro carrilho – chorinho didático nº2

Quase do outro lado do mundo, considerando o planeta terra como o mundo habitado, que é o que nós conhecemos, existe um imenso país de cultura antiga, cuja história se perde na poeira do tempo. É a Índia, cuja tradição nos deixa a nós, que vivemos aqui do outro lado, com caras de bobocas, porque não conseguimos entender e aceitar perfeitamente até hoje o modo de viver do seu povo. Primeiro que a população é dividida em castas, um ordenamento religioso e a idéia de que todos os homens são iguais nunca chegou por lá. Não é que a simples idéia de que todos os homens são iguais mude alguma coisa. Todas as civilizações modernas propagam a idéia de que todos os homens são iguais, mas na prática isto parece uma balela e as pessoas são de hábito discriminadas por várias razões, desde a raça, o sexo, a preferência sexual, a ideologia política, a religião, a idade, a classe social à qual pertence e por aí vai. Mas, no que tange à Índia, a sociedade é dividida pelo sistema de castas e isto é rígido, do nascimento à morte. Vem grudado na pele, no corpo e na alma de cada sujeito. A casta considerada mais baixa, a casta dos intocáveis, como o nome mesmo diz, não pode sequer ser tocado por pessoas de outras castas, sob pena de serem considerados impuros. Mas a despeito de toda a estranheza que sentimos por esse país e seu povo, a cultura indiana é rica em sabedoria, creio que pela antiguidade, cuja tradição se mantém viva. É pela índia que vamos fazer hoje nossa viagem musical. As músicas que vou apresentar não só parecem estranhas. São de fato estranhas ao nosso gosto. Mas conhecimento é cultura e não é coisa boa conhecer apenas aquilo de que gostamos à primeira vista. Ouçam agora a música intitulada Viajante, ainda há um longo caminho a percorrer.
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Escute o Prosa & Verso 102

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Músicas tocadas neste programa:
raul seixas – eu nasci há dez mil anos atrás
mpb4 – roda-viva
bethânia & chico – sinal fechado
mercedes sosa & fagner– años
kansas - dust in the wind
nelson gonçalves - naquela mesa
altamiro carrilho - lamentos

Quem somos nós? De onde viemos? Para onde vamos? Qual o sentido da vida? A vida em si tem um sentido? São perguntas, tão antigas e tão atuais, que todo homem que para um pouco, na correria da vida, para refletir, para pensar sozinho consigo mesmo, acaba fazendo. Perguntas como estas não encontraram até hoje, depois de mais de dez mil anos de inteligência neste planeta, respostas convincentes. O homem nem sempre foi pensante. Como os animais, guiava-se pelos instintos. Ainda hoje, muitos de nós se guiam pelos instintos, como vocês sabem muito bem. Pois, as perguntas que mencionei neste instante parecem ter sido a primeira e principal motivação para que o homem pensasse de modo transcendente, isto é, para além de si mesmo. Assim tiveram início as formulações mitológicas, religiosas e supersticiosas que nos acompanham ainda hoje, tantos séculos já decorridos de nosso surgimento como espécie animal chamada de homo sapiens. Mas não podemos confundir sapiens com sábio. Sapiens é aquele capaz de pensar e entender o que os animais irracionais não conseguem. Sábio é o que vivenciou, experimentou, refletiu e aprendeu as lições, principalmente por ter arriscado, ousado e muitas vezes errado. Mas que deu a volta por cima.
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Escute o Prosa & Verso 101

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Músicas tocadas neste programa:
antonio carlos e jocafi - você abusou
jamelão – folha morta
linda batista – vingança
gal costa – divino maravilhoso
toquinho e vinícius – é fogo, irmão
joatan nascimento – recordações de porfírio

Uma pessoa sábia é bem diferente de uma pessoa sabida. A sabida se acha sabida, pensa que é a esperta, que os outros são burros. O sábio não se acha sábio, reconhece que não sabe tudo, que não sabe nem o suficiente, que não sabe nada. Mas reconhece também que nem um só humano sabe tudo e que até o dia da morte de cada um, mesmo que seja em uma idade avançada, tem e terá sempre o que aprender. O sábio é humilde porque a sabedoria e a humildade andam juntas, de mãos dadas. O sabido é vaidoso e vive se enganando com sua presunção. Quando na vida se depara com novo ensinamento, o sábio agradece. O sabido se irrita e geralmente responde: eu sei! Isto eu já sei! E continua a errar, a enganar-se e, como conseqüência do auto-engano, vive enganando os outros. Engana os outros quem bajula, quem puxa o saco, quem só faz elogiar e dizer coisas agradáveis. O sabido jamais critica, porque criticar desagrada. Jamais educa, porque educar é estar permanentemente apontando os erros e, portanto, criticando. O sabido não exercita o amor, porque está sempre tentando levar vantagem em tudo, sempre tentando tirar proveito de tudo o que faz. Para o sabido, porque pensa que é sabido e que os outros são estúpidos, acha que engana facilmente já que, em sua visão, os outros são facilmente enganáveis.
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Escute o Prosa & Verso 100

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Músicas tocadas neste programa:
lira morrense – hino a morro do chapéu
chula fedegosos – as quatro muié
doelmar rocha – terra natal
zequinha reis – saga do ventura
noédson valois - poeta do morro
antônio gabriel – morro do chapéu 100 anos

Hoje, o Prosa & Verso vai ao ar em sua centésima edição, justamente, por pura coincidência, na semana em que Morro do Chapéu comemora seu centésimo aniversário. O programa de hoje é, portanto, inteiramente dedicada a esta cidade de gente acolhedora e criativa. Como vêem, estou tomando a ousadia de fazer, fora da programação oficial, uma homenagem a esta cidade centenária, que tem sido tão hospitaleira comigo e com muitas outras pessoas que vieram para cá e aqui permanecem, seduzidas pela simpatia de sua gente, pela tranqüilidade de sua vida e, sem dúvida, pelo seu clima privilegiado. Para quem aqui chega, na cara de Morro do Chapéu transparece a face do artista, nascido e criado, que canta sua terra em imagens, pinturas, fotografias, esculturas, artesanato, música, prosa e verso. Pelas limitações características de um programa radiofônico, só podemos mostrar a música, a prosa e o verso. A arte não é apanágio das classes sociais dominantes. A arte está arraigada na cultura popular e é dali de Fedegosos, berço de músicos e poetas, que vem a Chula, irreverente e alegre, que se chama As quatro muié.
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Escute o Prosa & Verso 099

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Músicas tocadas neste programa:
chico buarque e milton nascimento - cálice
ataulfo alves – caco velho
trovadores urbanos - modinha
edu e tom jobim - luíza
beth carvalho e mariene de castro - raiz
grupo vou vivendo - benzinho

Ele estava naquele recanto à noite, triste e desolado porque tudo indicava que logo ele seria preso e assassinado. Dizem os que escreveram sobre sua vida que ele se sentiu só e abandonado, quando se apegou ao que ele chamava de abba, que quer dizer papai, na língua aramaica. E contam que, amedrontado, teria implorado a Deus: Pai, afasta de mim este cálice! Pouco depois foi preso, torturado, condenado e morto. O medo da morte habita todos os corações, mas algumas pessoas, como ele, se estremecem mesmo não é diante da morte, mas diante dos sofrimentos que costumam chegar antes dela. A julgar por tudo o que se relatou sobre ele, suponho que sua hesitação não se deu por medo de morrer, mas diante do que imaginou que viria a suportar enquanto ainda estivesse vivo.
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Escute o Prosa & Verso 098

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Músicas tocadas neste programa:
nelson ned –tudo passará
quatro ases e um coringa – boneca de pano
nara e bethânia - formosa
miltinho – o rio e eu
noedson – passageiro
joão bosco e conjunto época de ouro – títulos de nobreza

É um velho costume comparar-se a vida a uma viagem. Está nos romances, nas músicas, nos filmes, nas novelas e principalmente nas prosas do dia a dia. Mesmo sem nunca sair da terra em que nascemos, costumamos pensar na vida como uma viagem. Uma viagem de venturas e/ou desventuras, mas basicamente uma viagem de aventuras. O mundo concreto, aquele que está totalmente fora de nós, mesmo que não o aprovemos nem mesmo ainda que não o aceitemos, não pode estar desligado da gente. O total desligamento do mundo é um sintoma de loucura. É o que se chama de alienação. Só mesmo a morte nos desliga de fato e mesmo assim permanecemos por tempo variável atrelados à memória dos outros e é isto que se pode supor inteligentemente que seja a tão almejada imortalidade. A imortalidade é um sonho tão antigo quanto o próprio homem, desde que começou a pensar, a ter idéia do tempo e de seu êxito final, que é a morte.
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Escute o Prosa & Verso 097

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Músicas tocadas neste programa:
elvis presley – blue hawai
frank sinatra – as time goes by
marilyn monroe - kiss
michael bolton – fly me to the moon
andy williams – days of wine and roses
willie nelson – stardust
rildo hora e paulinho da viola – sarau para radamés

Nos anos 40 do século passado, durante a segunda guerra mundial, quando a Europa estava estrebuchando debaixo do bombardeio alemão, a França estava parcialmente dominada pelos nazistas e a Inglaterra pedia arreglo enquanto a União Soviética resistia heroicamente, tendo como maior aliado o que ficou conhecido como seu general inverno. Os Estados Unidos, poupados das operações da tamanha guerra que vinha massacrando a Europa, lá do outro lado do oceano Atlântico, tratou de se arregimentar e de incrementar a indústria bélica. Como quem entra em um jogo da copa do mundo no final do segundo tempo, os americanos, descansados e devidamente preparados, caíram em cima da carniça e saíram finalmente de heróis. Isto foi cantado em prosa e verso e também em imagens pelo cinema de Hollywood. A propaganda perdurou por muitos anos além do dia D, que definiu o final da guerra. Seu hipotético heroísmo se consolidou com os chamados planos de ajuda, que foi uma injeção de capital praticamente por todo o resto do mundo. Junto com o capital, foi de carona a influência cultural, a influência dos costumes, de modo que praticamente começou uma nova era no planeta, a era da globalização, que os satélites e a filha internet vieram alimentar e cevar. A nata da sedução americana se manifestava e de certo modo ainda se manifesta na propaganda cinematográfica. E a música, em sua fase de ouro, forneceu alguns exemplares que nos deliciam até hoje.

O romantismo tomou conta do mundo. E a música americana contribuiu muito. Mesmo não entendendo as letras, sentimos a emoção, a saudade, o romance tomar conta de nós, quando escutamos este tipo de canção. O mundo da imaginação, da ilusão, em si não é mau. E é agradável. Por isto a maioria absoluta das pessoas prefere viver nesse mundo enganoso e aí está o problema. Degustar uma comida saborosa é muito prazeroso. Mas achar que só o prazeroso, o que dá bem-estar, é bom e que algo é mau por ser desagradável é um engano perigoso. Caras e corpos bonitos, por exemplo, podem ou não encerrar pessoas boas e decentes. Mas, quem não gosta de fantasiar que sua pessoa amada é a melhor e mais linda do mundo?

Escute o Prosa & Verso 096

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Músicas tocadas neste programa:
nara leão - little boxes [as caixinhas]
zé ramalho – admirável gado novo
jorge veiga – café soçaite
noel rosa – com que roupa
pedro amorim e paulo sérgio santos – andré de sapato novo

Estou trazendo hoje uns comentários de Martha Medeiros, publicados no Jornal Zero Hora, de Porto Alegre em 5 de agosto de 2007. Repasso estes comentários porque os acho atuais. Podiam ter sido feitos hoje. Ela diz:
Lendo uma entrevista do professor Hermógenes, 86 anos, considerado o fundador da ioga no Brasil, ouvi uma palavra inventada por ele que me pareceu muito procedente: ele disse que o ser humano está sofrendo de normose, a doença de ser normal. Todo mundo quer se encaixar num padrão. Só que o padrão propagado não é exatamente fácil de alcançar. O sujeito “normal” é magro, alegre, belo, sociável, e bem-sucedido.
Quem não se “normaliza” acaba adoecendo. A angústia de não ser o que os outros esperam de nós gera bulimias, depressões, síndromes do pânico e outras manifestações de não enquadramento. A pergunta a ser feita é: quem espera o que de nós? Quem são esses ditadores de comportamento a quem estamos outorgando tanto poder sobre nossas vidas?
Eles não existem. Nenhum João, Zé ou Ana bate à sua porta exigindo que você seja assim ou assado. Quem nos exige é uma coletividade abstrata que ganha “presença” através de modelos de comportamento amplamente divulgados. Só que não existe lei que obrigue você a ser do mesmo jeito que todos, seja lá quem for todos. Melhor se preocupar em ser você mesmo. A normose não é brincadeira. Ela estimula a inveja, a auto-depreciação e a ânsia de querer o que não se precisa. Você precisa de quantos pares de sapato? Comparecer em quantas festas por mês? Pesar quantos quilos até o verão chegar? Não é necessário fazer curso de nada para aprender a se desapegar de exigências fictícias.
Um pouco de auto-estima basta. Pense nas pessoas que você mais admira: não são as que seguem todas as regras bovinamente, e sim aquelas que desenvolveram personalidade própria e arcaram com os riscos de viver uma vida a seu modo. Criaram o seu “normal” e jogaram fora a fórmula, não patentearam, não passaram adiante. O normal de cada um tem que ser original. Não adianta querer tomar para si as ilusões e desejos dos outros. É fraude. E uma vida fraudulenta faz sofrer demais.
Continua Martha Medeiros, a autora dos comentários: Eu não sou filiada, seguidora, fiel, ou discípula de nenhuma religião ou crença, mas simpatizo cada vez mais com quem nos ajuda a remover obstáculos mentais e emocionais, e a viver de forma mais íntegra, simples e sincera. Por isso divulgo o alerta: a normose está doutrinando erradamente muitos homens e mulheres que poderiam, se quisessem, ser bem mais autênticos e felizes.
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Escute o Prosa & Verso 095

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Músicas tocadas neste programa:
francisco alves - é bom parar
seu jorge – eu bebo sim
nelson gonçalves – hoje quem paga sou eu
nelson gonçalves e alcione - louco
roberto silva – bebida, mulher e orgia
vicente celestino – porta aberta
você pensa que cachaça é água?

As palavras existem pela necessidade de se poupar trabalho na comunicação de uma pessoa com outra. Imagine como é difícil dizer, explicar, apenas com palavras, o que é uma coisa fofa. Experimente fazer isto, explicar a alguém o que é uma coisa fofa, usando somente palavras, sem fazer qualquer gesto. Pois bem, se as palavras servem para poupar trabalho, na hora de nos expressarmos, infelizmente, por outro lado, nós costumamos ser preguiçosos, não só quando fazemos as coisas, mas também quando falamos e mesmo quando pensamos. A grande maioria das pessoas tem preguiça de pensar. E se temos preguiça de pensar, temos preguiça de procurar conhecer, lembrar e empregar as palavras adequadas para comunicar nossas idéias. Por esta razão ou pelo menos esta é uma das razões pela qual se sabe que a linguagem é uma fonte de mal-entendidos.
Se uma pessoa precisa de alguma coisa, ela tem a obrigação de dizer o que precisa, de informar a quem puder ajudá-la. E não ficar achando que o outro tem que adivinhar. Ocorre que, pela preguiça de empregarmos as palavras certas, empregamos aquelas que conhecemos, a três por dois, muitas vezes com o sentido totalmente diferente. Assim é com a palavra depressão. Tem-se tornado comum dizer que uma pessoa está com depressão, quando ela manifesta qualquer sintoma de qualquer doença mental. Assim, quando uma pessoa tem alguma alteração mental, logo se passa a dizer que tem depressão. Nada mais errado… Depressão é um estado em que a pessoa entristece, fica triste, sem ânimo pra fazer nada, muitas vezes chorando ou se calando, lastimando da vida, internando-se em um quarto, sem querer sair nem para comer. Assim se manifesta, em linhas gerais, o transtorno chamado depressão.
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Escute o Prosa & Verso 094

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Músicas tocadas neste programa:
dominguinhos – a quadrilha
cristóvão cerqueira – popurri de arrasta-pé
dominguinhos – rato enfrentando gato
oswaldo bettio – popurri do são joão luzitano
jacob do bandolim - remelexo

É São João. Uma festa de fogos, de alegria, de comidas bucólicas, de música, de dança. Uma festa de fogueira, folguedos, uma festa sertaneja, muito bem apropriada pelo nordeste do Brasil, embora suas origens estejam na Europa, mais precisamente em Portugal. Ou talvez, suas origens estejam mesmo nas festividades pagãs remotas, antigas e relacionadas à agricultura. O São João ocorre no equinócio de verão, na Europa. Para manter a data, contrastando com o Natal, que ocorre no solstício de inverno, também na Europa, aqui, mós, aqui na colônia, tivemos que seguir o calendário Europeu e mantivemos estas duas comemorações nas datas fixas de 24 de junho e 25 de dezembro, apesar do desencontro com as estações de verão e inverno.
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Escute o Prosa & Verso 093

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Músicas tocadas neste programa:
denize e tarcísio - chalana
denize - nada por mim
tarcísio- a desconhecida
tarcísio - sonho e broto
denize - estrela
altamiro carrilho – o canário e a tuba

Quando comecei o Prosa & Verso, em 2007, fazia frequentemente um quadro que se chamava Valores da Terra. Procurei trazer pessoas e suas produções criativas que, vivendo em Morro do Chapéu, cumprem suas vidas, dão sua contribuição à coletividade. São pessoas que trocam seus ofícios e suas artes pela sobrevivência, como trabalhadores honrados e decentes. Para mim são valores da terra, como tantos outros que se esforçam e, no meio de um mundo cheio de trapaças, hipocrisias, ganâncias, vaidades e arrogância, seguem sua estrada, dão conta de suas responsabilidades e assim se destacam, ao menos a alguns olhares. Como os que trouxe aqui, existem muitos outros que vivem no anonimato em sua labuta diária. Por que os destaquei como valores da terra? Alguém me perguntou uma vez isto. Quando pensamos em valor, a nossa tendência é pensar em dinheiro, em poder, conhecimento, escolaridade, força física. O essencial é invisível aos olhos e só se vê bem com o coração. Foi o que escreveu há mais de cinqüenta anos Antoine de Saint-Exupéry, que morreu ainda jovem em condições misteriosas e que muitos acham que se suicidou. A propósito, não teria sido o único grande homem a se suicidar. Bem, coisas simples podem ser de grande valor. Ricardo III, rei medieval da Inglaterra, na hora do aperto, apelou com um brado suplicante, oferecendo seu reino em troca de um cavalo! A água, tão comum neste planeta que se chama terra, é chamada de precioso líquido, sem dúvida o mais valioso de todos os líquidos. Uma árvore vale pelos seus frutos [ou por sua sombra]. Uma pessoa vale por seus atos. E a arte é uma das coisas responsáveis por nosso prazer, pelo nosso equilíbrio psicológico. Hoje estou trazendo dois artistas do Morro do Chapéu, também valores da terra. Trata-se de Denize Reis e Tarcísio Coutinho.
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lá surgiu da noite escura,
horripilante e imundo,
com sua baba, tenebroso,
dentes à vista e urrando,
imagem espectral do mundo,
do que o mundo representa
de infame e sequioso,
faminto de ganas mil.

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Escute o Prosa & Verso 092

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Músicas tocadas neste programa:
chico buarque – gota d’água
paulo diniz – vou-me embora
damário da cruz – todo risco/cantores de ébano - azulão
caetano veloso - carolina
gilberto gil – se eu quiser falar com deus
conjunto época de ouro – treme-treme

Um ancião muito sincero e sábio foi procurado por uma jovem senhora para ouvir seus conselhos porque estava casada fazia sete anos e sua vida tinha virado um inferno, já no segundo ano do casamento. O marido, um empedernido machista, bebia abusivamente, andava com outras mulheres de forma indiscriminada e acintosa e, nos últimos meses, passou a ameaçá-la e em seguida a agredi-la moral e fisicamente. A situação conjugal tornara-se insuportável. O velho sábio fitou aquela jovem senhora e, com seus olhos mansos, ciente de que cada pessoa é dona de sua própria vida e que a essência do viver é fazer suas próprias escolhas, compadecido, mas firme e respeitoso, mandou que ela se encostasse na parede, da cabeça aos calcanhares e ali permanecesse de pé, na mesma posição. Mesmo sem entender aquele ritual, ela fez o que ele mandou, permanecendo imóvel até que o sábio observando sua descomodidade lhe perguntou: A senhora está confortável aí? Ela naturalmente respondeu que não. Então lhe disse o velho: Por que você continua nesse lugar, se está desconfortável? Pois, então, saia daí!
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Escute o Prosa & Verso 091

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Músicas tocadas neste programa:
beth carvalho - meu guri
miltinho - menina-moça
tira poeira e pedro miranda – o mundo é um moinho
bebel gilberto e pedrinho rodrigues – escurinho
roberto silva - escurinho
chico buarque – pivete

Eles costumam andar em bandos, falam alto e se atropelam quando estão falando. Em casa, no quarto ou na sala, estão sempre esparramados nos sofás, nas poltronas, nas almofadas. Com seus tênis sujos de terra, entram e saem sem a menor cerimônia. Se estão estudando, ligam o rádio ou a TV a todo volume. Estou falando de adolescentes, esta espécime tão desalinhada, esquisita e tão estranha que nos faz pensar que nunca passamos por aquela faixa de idade, que nunca fomos como eles. E porque nossa memória é fraca, somos tão intolerantes com os primeiros filhos que chegam à adolescência. A partir daí, ou amadurecemos nós ou nos tornamos calejados e passamos a conviver melhor com os outros filhos que vêm depois. Nosso ideal de perfeição, aquele ideal que costumamos alimentar, desejando que cada filho nosso seja perfeito, seja um modelo para os outros jovens, esse ideal de perfeição é um dos fatores que mais nos provocam ansiedade, desgosto e medo. É um dos fatores que nos fazem perguntar com tanta freqüência: onde foi que errei? E mais raramente: onde foi que erramos? Digo que é freqüente se perguntar: onde foi que errei, e raro se perguntar: onde foi que erramos, porque, se na vida em geral acontece a tendência de acusarmos outra pessoa da culpa pelos erros que cometemos, é mais comum ainda entre os casais um acusar o outro pelos erros na educação dos filhos. Em geral temos uma visão curta, embotada pela afetividade, quando avaliamos nossos próprios filhos.
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Escute o Prosa & Verso 090

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Músicas tocadas neste programa:
unidos de vila Isabel – trabalhadores do brasil
edson e hudson - cidadão
martinho da vila – o pequeno burguês
xangai – trabalhadores do metrô
filarmônicas lira morrense e minerva – obedece a quem sabe

Para construir o teor deste programa de hoje, estou partindo de três pressupostos bíblicos: O primeiro se encontra no Gênesis, quando sabiamente, há alguns milhares de anos, o autor desse livro deixou clara sua percepção de como viveriam ou deveriam viver os homens sobre a terra. Diz ali que Deus, criador do mundo, sentenciou: Vão ter que se alimentar dos frutos do seu trabalho. Nas palavras literais da tradução vulgata, “comerás o pão com o suor do teu rosto”. Assim a humanidade foi, digamos, condenada à sina da labuta, do trabalho para sobreviver. As crianças, os idosos e os inválidos evidentemente não podem trabalhar para manter-se. Estas categorias de pessoas precisam de outras pessoas que sejam capazes, para que trabalhem por elas, a fim de lhes fornecerem tudo o que for indispensável à manutenção de suas vidas. O segundo pressuposto bíblico está nos evangelhos, numa assertiva de Jesus de Nazaré, quando diz que “o trabalhador é digno do produto do seu trabalho”. Finalmente, o terceiro pressuposto está no livro do Eclesiastes, que diz bem assim: “a felicidade do homem consiste em sobreviver às custas do trabalho e da labuta que ele mesmo realiza, em seus dias de fadiga”.
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